Felipe Louro Figueira – Sistemas de Transporte

Por: FELIPE LOURO FIGUEIRA

ESTUDO DE VIABILIDADE MERCADOLÓGICA: MELHORIA NA QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE PÚBLICO E INTEGRAÇÃO MULTIMODAL EM FLORIANÓPOLIS

 

Transporte - Felipe Louro Figueira

Transporte – Felipe Louro Figueira

1. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO PROPOSTO

 

1.1. Justificativa

O transporte e a mobilidade urbana são peças fundamentais ao desenvolvimento local. São, paralelamente, garantias do cidadão em seu direito de ir e vir e no exercício da cidadania. As cidades constituem o palco das contradições econômicas, sociais e políticas que se baseiam em processos de reordenamentos, como os de caráter técnico-científico-informacional e público-privado, resultando num desenvolvimento desigual entre os diferentes territórios, sendo que as ações, articulações e investimentos públicos e privados são fatores que possibilitam a existência desses antagonismos.

Conforme Boareto (2003), nas grandes cidades há uma crise de mobilidade que é demonstrada pelos congestionamentos e pelo tempo desprendido pelo cidadão no transporte coletivo. Predomina um foco de que a cidade pode se modernizar, causando uma pressão sobre áreas de preservação e não é levado em consideração o custeio de inserção da infraestrutura necessária para o aporte ao atual modelo de mobilidade, centrado no automóvel, cujas negativas e os custos de circulação são socializados.

 

Nos centros urbanizados, o transporte coletivo compõe o principal meio de locomoção da população, principalmente dos que possuem um menor poder aquisitivo. No Brasil, por exemplo, em pesquisa realizada no ano de 2000, Andrade (2000) apontou que o transporte público é o principal item de despesa das famílias de baixa renda englobado nos serviços públicos.

 

Uma pesquisa realizada em 2005 pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), estimou que o transporte público urbano, incluindo ônibus e metrô, responda por mais de 1,0% do PIB brasileiro, movimentando o montante de R$ 17 bilhões por ano, causando influencia direta no desempenho em diversos setores econômicos, por se tratar de um elemento estruturador das atividades urbanas, com forte reflexo na qualidade de vida da população das cidades (NTU, 2005).

Nota-se que este setor se alinha aos setores básicos da economia e por isso, não é possível pensar em uma sociedade sem englobar esse setor. E para que todos sejam beneficiados em suas necessidades de ir e vir, de locomoção, é essencial uma gestão planejada dos serviços que compõem o transporte urbano de passageiros (VASCONCELLOS, 2001).

 

A falta de planejamento e organização no transporte público gera como consequência uma série de problemas no sistema, como superlotação de passageiros, elevados custos de operação, congestionamentos, diminuição da mobilidade e acessibilidade, bem como a diminuição da qualidade de vida dos usuários e pessoas diretamente e indiretamente influenciadas pelo setor. Sendo assim, o transporte público de passageiros merece atenção, por ser fundamental não somente para o desenvolvimento das cidades, como também para a vida dos cidadãos.

 

O deslocamento de pessoas é de suma importância para a sociedade, pois se torna condição necessária para a concretização das relações econômicas e sociais, fundamentais ao desenvolvimento (GOMIDE, 2003).

 

Propiciar um serviço de transporte coletivo acessível, eficiente e de qualidade, que garanta o acesso da população a todo espaço urbano pode gerar um aumento considerável da renda e da disponibilidade do tempo da população mais carente, garantir o acesso aos serviços sociais básicos, como a saúde, educação e lazer e às oportunidades de trabalho. Com isso, é claramente entendido que o transporte coletivo é uma importante ferramenta de combate à pobreza e de inclusão social, garantindo uma qualidade de vida melhor para os usuários (GOMIDE, 2003).

 

Sem os acessos aos serviços, há um limite para que as pessoas desenvolvam suas capacidades, exerçam seus direitos ou equiparem oportunidades. Estes serviços públicos são condições de direitos fundamentais e universais claramente expressados num contrato social: por excelência, a Constituição. É o caso do transporte coletivo urbano no Brasil (Constituição Federal, artigo 30, inciso V).

 

1.2. Relevância do estudo proposto

Dentre os aspectos que fazem parte do transporte urbano de passageiros, necessidades como acessibilidade e mobilidade dos usuários, o uso dos sistemas viários e a qualidade de vida urbana merecem atenção. Por esses aspectos, é considerável importante o estudo da questão da mobilidade urbana dos usuários de transporte público por ônibus, e demais modais, tendo como foco a cidade de Florianópolis e regiões adjacentes. Segundo dados do IBGE (2015), a população estimada de Florianópolis é de 469.690 habitantes e teve crescimento de 9,55% entre 2013 e 2014. A Unidade da Federação que mais cresceu, segundo o IBGE, foi Santa Catarina (1,55%), influenciada pelo alto crescimento de Florianópolis e seu entorno, além das regiões de Tijucas, Itajaí, Blumenau e Joinville, todas no leste do estado.

Florianópolis tem sua economia alicerçada nas atividades do comércio, prestação de serviços públicos, indústria de transformação e turismo. Com dados levantados pela pesquisa realizada pela Santur (Santa Catarina Turismo S/A) a pedido da Setur (Secretaria Municipal de Turismo) nos meses de fevereiro e março de 2012, estima-se que tenham vindo à Capital 592.814 visitantes em janeiro, 549.135 em fevereiro e 413.738 em março, superando a marca de 2 milhões de turistas no ano. A pesquisa ainda provou que os turistas chegam, em sua maioria, de carro (60,93%) a Florianópolis e em segundo lugar, de avião (22,87%).

O turismo de Florianópolis é o décimo no ranking nacional. Essa afirmação é baseada no Índice de Competitividade do Turismo Nacional – Relatório 2014, ferramenta desenvolvida pelo Ministério do Turismo, Sebrae e Fundação Getúlio Vargas para mensurar o nível de desenvolvimento do setor.

Essas premissas servem de alerta para que se estude acuradamente segmentos de transporte com eficiência operacional, especialmente no tocante a tempo de viagem e a conforto como forma de modernização para uma maior atratividade do setor turístico.

Isso quer dizer que é necessária uma visão mais crítica dos sistemas de transportes existentes em países em desenvolvimento, para buscar uma solução mais adequada aos sistemas de transporte público de passageiros (RAMOS NUNES, 2001).

Small (1992) esclarece que a diminuição do tempo de viagem é um dos campos mais importantes na análise do desempenho dos transportes e Gunn (1985) e Ortúzar e Willumsen (1994) estabelecem o tempo de viagem como o foco principal para avaliação no desempenho de sistemas de transportes.

 

Cidades como Cingapura, Estocolmo e Copenhague têm procurado aumentar a eficiência de seus sistemas de transporte público aumentando o sistema sobre trilhos (DAVID, 2005).

 

A adoção de sistemas operados por veículos leves sobre trilhos – VLTs, um misto de metrô e ônibus, cuja diferença está no custo mais baixo que o primeiro e na capacidade quatro vezes maior que o segundo, vem sendo utilizada nas cidades de grande porte principalmente servindo como alternativa para complementar os sistemas existentes que já obtiveram seu patamar máximo de otimização e na maioria das vezes ligando áreas urbanas distintas. Em se tratando do espaço urbano, a principal característica de um veículo leve sobre trilhos, ou VLT, é sua adaptação perfeita ao meio urbano e paisagístico (ALOUCHE, 2008).

Com 54 quilômetros de extensão e por se tratar de uma ilha, Florianópolis é propícia para o estudo da utilização do modal hidroviário como parte da solução de tráfego.

O transporte hidroviário tem papel fundamental no desenvolvimento de um país. Este modal apresenta diversas vantagens econômicas, sociais e ambientais, mas, no Brasil, apesar das dimensões continentais e da rica hidrografia, esse recurso não é utilizado em todo seu potencial. (SANTANA, 2008).

 

Na busca por melhorias no transporte de passageiros, estão medidas como a adoção de sistemas de transporte urbano de passageiros com meios complementares como, por exemplo, o transporte hidroviário implantado na conexão Rio-Niterói, esse apenas com função complementar ou alternativa.

Para garantir o sucesso da utilização de Transporte hidroviário urbano de passageiros, deve ser realizado um estudo das características desse modal e das condições necessárias para que se possa explorar por completo o potencial que ele tem a oferecer no transporte coletivo de passageiros, além disso, devemos garantir uma integração intermodal rodoviário-hidroviário.

A conjugação desses fatores trouxe condições propícias para o desenvolvimento dessa pesquisa. Acredita-se que essa contribuição ao serviço público de transporte possa ser relevante, tanto no sentido de levantar e discutir os aspectos inerentes à mobilidade, à acessibilidade e a qualidade do serviço prestado, como no de contribuir para melhor operacionalizá-los.

2. OBJETIVOS

 

2.1. OBJETIVO GERAL

Levantar informações relevantes para uma proposta técnica de melhoria de trânsito da capital de Santa Catarina.

 

2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

a) Levantamento da percepção do transporte público existente pelo usuário e pelo o não-usuário;

b) Caracterizar o sistema de transporte público de passageiros em Florianópolis;

c) Caracterizar o usuário que utiliza o transporte coletivo;

d) Avaliar a contribuição que o transporte público de passageiros proporciona

na qualidade de vida dos cidadãos usuários (freqüência do uso, motivos do uso);

e) Quantificar os usuários;

f) Confrontar a demanda atual com o número de usuários;

g) Levantamento de dados de trânsito novos e já existentes, especificando quantidade e tipo de veículo, bem como horário de tráfego e demais dados relevantes.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

 

É amplamente entendida a necessidade de dar enfoque nos transportes e em qualidade, não só como infraestrutura para os processos de produção, mas também como pré-requisito para uma boa qualidade de vida dos cidadãos, e nisso consiste a importância desta pesquisa.

Como referencial teórico, utiliza-se aqui, dentre outros, “Gerenciamento de Transporte e Frotas” de Amir Mattar Valente, que mostra instrumentos que auxiliam na melhoria da gestão de frotas. Questões relacionadas a dimensionamento, operação e renovação de frotas, especificação de veículos, custos, planejamento da manutenção, acomodação de cargas e passageiros, além da aplicação de inovações tecnológicas no setor são abordados.

O livro “Transporte Público Urbano” de Antônio Clóvis “Coca” Pinto Ferraz e Isaac Guillermo Espinosa Torres, trata o assunto de maneira didática e simples. Os autores concluem que o transporte público é o modo de locomoção mais indicado para as cidades, ainda mais, as maiores, “principalmente nos países subdesenvolvidos ou ditos do terceiro mundo, onde, necessariamente os governos necessitam e devem planejar”. É fornecida inclusive neste livro uma importante orientação quanto aos levantamentos e pesquisas, com formatos de formulários, bem como dados para serem inseridos nos questionários destinados aos usuários. Todos esses assuntos facilitam o trabalho dos responsáveis pelo planejamento, gestão e operação do transporte público urbano, de responsabilidade direta do governo municipal, considerando que a questão tem um grande impacto na qualidade de vida da população.

 4. METODOLOGIA

 

O método é quantitativo por se tratar de pesquisa de dados referentes ao tráfego local e utilização do(s) atual(is) modal(is) de transporte público. A técnica de pesquisa é exploratória e bibliográfica, por embasar-se em dados novos, outros já levantados e em bibliografias sobre o assunto.

5. RESULTADOS ESPERADOS

 

É esperada a constatação da necessidade de melhorias no tráfego de veículos e na inteligência de integração entre modais de transporte. A modernização do transporte público leva ao incentivo de seu uso, beneficiando o tráfego pela diminuição de veículos próprios. Políticas econômicas como a integração de um único bilhete entre os modais, também seriam pertinentes aos resultados esperados.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ANDRADE, T. A. Dispêndio domiciliar com o serviço de saneamento e demais serviços de utilidade pública: estudo da sua participação no orçamento familiar. Relatório Final (projeto BRA/92/028 – PMSS).Brasília, 2000.

ALOUCHE, P. L. VLT: um transporte moderno sustentável e urbanisticamente correto para as cidades brasileiras. Revistas dos Transportes Públicos- ANTP- Ano 30 – 2008.

BOARETO, Renato. A Mobilidade Urbana Sustentável. In Revista dos Transportes Públicos, Ano 25 – 3º trim. 2003 – nº 100, pp. 45-56.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

 

DAVID, R. K. Desenvolvimento Tecnológico na Modernização do Transporte de Passageiros. 1º Concurso de Monografia CBTU 2005.

GOMIDE, Alexandre de Ávila. Transporte Urbano e inclusão Social: elementos para políticas públicas. Ipea-texto para discussão nº 960. Brasília, 2003.

GUNN, H. F. Value of time estimation. Working Paper 157, Institute for Transport Studies – ITS, 1985, University of Leeds, England.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: http:/www.ibge.gov.Br/cidadesat. Acesso em 19 out. 20015.

MINISTÉRIO DO TURISMO. Índice de competitividade do turismo nacional: Destinos indutores do desenvolvimento turístico regional. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.turismo.gov.br/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_publicacoes/Estudo_das_competitividades_65_destinos.pdf. Acesso em 19 out. 2015.

NTU- Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Sistema Redes: construindo redes de transporte público de qualidade. Brasília: NTU, agosto, 2004.

Ortúzar, J. de D.; Willumsen, L. G. Modeling Transport, 1994.

RAMOS NUNES, N. T. R. An evaluation of the role of médium capacity public transport system in developing countries: The Brazilian Case. Ph.D. Thesis, 2001.

Santana, W. A (2008). Proposta de Diretrizes para Planejamento e Gestão Ambiental do Transporte Hidroviário no Brasil (ed. rev). Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.

SECRETARIA MUNICIPAL DE TURISMO.  Perfil dos turistas de Florianópolis. Julho, 2012. Disponível em: http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/31279-internet-e-sugestoes-de-conhecidos-fazem-turistas-vir-a-florianopolis.html. Acesso em 19 out. 2015.

SMALL, K. A. Fundamentals of Pure and Applied Economics. 51: Urban Transportation Economics, 1992.

VASCONCELLOS, Eduardo de Alcântara.Transporte Urbano, espaço e Equidade: análise das políticas públicas, São Paulo: Annablume, 2001.

www.felipelourofigueira.com.br

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